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segunda-feira, 26 de julho de 2010

Curtas climáticas: de volta à Quioto?

Por Daniela Stump
Bis 1

Projeto de Lei que visa estabelecer cortes de emissões de gases de efeito estufa nos EUA trava no Senado Norte-Americano. Por falta de votos suficientes para aprová-la, os democratas desistiram de colocá-la em pauta antes do recesso legislativo de agosto. O mundo já viu esse filme antes... em 1997, embora Clinton tivesse assinado o Protocolo de Quioto, não pôde ratificá-lo no Congresso dos EUA em razão da Resolução Byrd-Hagel, aprovada por unanimidade no Senado, que proibiu o país de assumir compromissos de redução de emissões se as economias emergentes não fizessem o mesmo, o que, de fato não ocorreu.

Bis 2

Termina hoje, no Rio, a quarta reunião do grupo formado por Brasil, África do Sul, Índia e China (Basic) que discute a divisão do ônus da mitigação das mudanças climáticas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. A partir do Acordo de Copenhague, em que os países admitiram que a temperatura do globo deverá se limitar a um aumento de 2ºC, é possível calcular o limite máximo de concentração de gases de efeito estufa na atmosfera e, por conseqüência, o índice de redução de emissões necessárias para o alcance do objetivo traçado. Nesse quadro, os países do Basic discutem quais seriam os critérios mais justos para o compartilhamento de responsabilidades entre eles e os países desenvolvidos.

Alguém já ouviu esse papo antes?

[Imagem: Ball State University]

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Biodiesel de cana-de-açúcar chega ao Brasil no próximo ano.

Por Edgard Dagher Samaha

A Amyris Biotechnologies, empresa de biotecnologia norte-americana, revela que o biodiesel estará no mercado brasileiro em 2011.


O combustível produzido a partir de cana-de-açucar está em fase teste no Brasil. Os ônibus utilizados em São Paulo na pesquisa estão recebendo uma mistura de 10% do diesel renovável e 90% de óleo diesel comercial.

De acordo com a Amyris, testes realizados na empresa demonstram que essa mistura reduziu 9% das emissões de materiais particulados à atmosfera.

Segundo Fernando Reinach, membro do conselho da Amyris, "A grande vantagem é que ele é zero de enxofre, totalmente renovável, igual ao etanol, e não compete com a produção de alimentos, que é a crítica que muita gente faz ao biodiesel."


Para mais informações, acesse a matéria.

Foto: Equipe PPA (céu de São Paulo)

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Foi lançado edital para a construção do Trem-Bala brasileiro

Por Edgard Dagher Samaha

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) lançou, no dia 13 de julho, o edital de Concessão para Exploração de Serviços Públicos de Transporte Ferroviário por Trem de Alta Velocidade (TAV), que abrangerá em seu trajeto os Municípios de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro.

Veja abaixo itinerário previsto:


A máquina poderá alcançar velocidades acima de 250 km/h. Assim, estima-se que o trajeto São Paulo-Rio será feito em apenas 93 minutos de viagem, a um custo de R$ 200,00 a Classe Econômica e R$ 325,00 a Classe a Executiva, no horário de pico, e R$ 150,00 a Econômica e R$ 250,00 a Executiva, fora do horário de pico.

Foi agendado para 16 de dezembro do corrente ano o leilão que definirá o grupo responsável pela construção e operação do TAV.

Acesso este link para ver a notícia completa e este  para ver o Edital.


Fonte Imagem

São Paulo poderá abrigar o primeiro mercado local de créditos de carbono brasileiro



Por Daniela Stump

A Política Estadual de Mudanças Climáticas de São Paulo (Lei nº 13.798/09) foi recentemente regulamentada pelo Decreto Estadual nº 55.947, em 24 de junho de 2010. Dentre seus dispositivos, destaco o artigo 32 e seguintes, que tratam da integração do controle de gases de efeito estufa nos processos de licenciamento ambiental, por meio do estabelecimento de limites para emissões, com base nas metas de redução globais e setoriais. A meta global, estabelecida pela PEMC, é de redução de 20% das emissões havidas no Estado em 2005, até 2020, enquanto as metas setoriais ainda serão definidas.

Nos termos do decreto, a CETESB poderá definir critérios de compensação de emissões de gases de efeito estufa no processo de licenciamento ambiental, para fins de instituição de mecanismos adicionais de troca de direitos. Essa autorização concedida ao órgão ambiental aponta para a criação de mercado local de créditos de carbono, inédito no Brasil, que poderá contar com a adesão de outros Estados da Federação como provedores de projetos de compensação, como expressamente autorizado pelo parágrafo 6º, do artigo 32, do decreto em comento.

Do ponto de vista do custo-benefício de realizar reduções fora dos limites territoriais de São Paulo, a iniciativa é muito interessante, vez que, os empreendedores paulistas poderão buscar formas mais econômicas de abatimento de gases de efeito estufa em relação ao valor do investimento em sistemas de controle no seu próprio empreendimento. Contudo, resta saber se essa idéia sairá do papel, haja vista outro mecanismo de mercado semelhante instituído pelo Estado, o mercado de compensação de emissões por bacias aéreas, que, até o momento, não decolou.

Estarei de olho nos próximos passos dessa iniciativa e manterei vocês informados nesse espaço. Confiram!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Esterco da Coroa Britânica produzirá energia no Reino Unido



Por Francisco Silveira Mello Filho

O eco-engajamento (ou eco-marketing) parece não ter mais limites. O Ministério da Defesa Britânico anunciou que irá gerar energia a partir do esterco da cavalaria real. Segundo noticiado pela agência da BBC Brasil, cerca de 170 animais da tropa do rei fornecerão a matéria-prima.

Segundo informou o porta-voz do Ministéro da Defesa Britânico " O Ministério da Defesa Britânico está completamente comprometido com a agenda de desenvolvimento sustentável do governo e com agressivas reduções nas emissões de carbono." A pergunta, porém, que não quer calar é: trata-se de uma atitude de engajamento governamental ou de marketing verde? A resposta não se sabe ao certo.

O que se tem certeza é que do ponto de vista publicitário, é, sem dúvida, uma grande iniciativa. A exposição do Governo Britânico como um "caçador implacável" de CO2, surgida da articulada política interna do Reino Unido, legitima, em tese, o dedo rijo que aponta para o quintal de outros países, como, por exemplo, o do Brasil.

Fonte: folha.com
Foto: Leon/AFP

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Descoberta de dados importantes para o cálculo da “respiração” da Terra.

Por Edgard Dagher Samaha

Cientistas internacionais criam modelos para determinar parâmetros essenciais da “respiração” da Terra, até então desconhecidos! Segundo eles, agora é possível obter informações precisas sobre a interação da vegetação da Terra e a atmosfera, peças primordiais para a previsão de cenários futuros do avanço das Mudanças Climáticas.

Para saber mais sobre o assunto, acesse o link:
http://migre.me/WqFC

Foto: Zechariah Judy/Flickr

segunda-feira, 26 de abril de 2010

O que os bancos devem fazer para combater as mudanças climáticas

(Parte 2)


Por Francisco Silveira Mello Filho

Em nosso último artigo tivemos oportunidade de analisar alguns dos perigosos reflexos da adoção da primeira estratégia sugerida no estudo A Challenging Climate 2.0: What Banks must do to combat climate change1, realizado pela rede internacional BankTrack2, para aumentar o engajamento dos bancos na luta contra o aquecimento global.

A primeira estratégia sugere às Instituições Financeiras o encerramento das linhas de crédito destinadas às atividades consideradas sujas, entre elas: a exploração de petróleo e derivados, a siderurgia e o agronegócio. Entretanto, de forma irresponsável, o citado estudo se esquece de dimensionar os impactos econômicos e sociais que esse passo poderá causar globalmente, uma vez que se sabe que o setor produtivo mundial não foi projetado para operar em bases de baixo carbono e essa transição demandará tempo, cuidado e dinheiro.

Neste artigo, analisaremos a segunda e a terceira estratégias sugeridas pelo estudo aos bancos, são elas: ii.) reduzir severamente o impacto climático de todas as operações de empréstimos e investimentos; e iii.) contribuir positivamente para uma rápida transição para uma economia de baixo carbono.

A estratégia de tentar reduzir o impacto ambiental da operação das linhas de crédito e dos investimentos em novos empreendimentos, considerando-se as variáveis ambientais envolvidas, como a emissão dos gases do efeito estufa (GEE), não é novidade no cenário internacional. O IFC3, conhecido como o braço privado do Banco Mundial, alinhavou, com base nas políticas ambientais adotadas como diretrizes pelas instituições que compõe o Grupo Banco Mundial4, uma carta de princípios denominada Princípios do Equador, cuja finalidade é contribuir na adoção de diretrizes mais sustentáveis pelos bancos.

Segundo essa carta de princípios, as Instituições Financeiras signatárias deverão, com base na proporção do projeto financiado e nas características econômicas e sociais do país que sediará o projeto, classificar o Project Finance, exigindo, de acordo com a classificação obtida, o cumprimento de requisitos específicos, como a entrega de relatórios ambientais.

A Carta de Princípios do Equador está longe de ser uma arma perfeita na correta mensuração da degradação ambiental causada pelo financiamento de grandes projetos, mas, sem dúvida, é um passo importante na incorporação, pelos bancos, da variável ambiental, na análise de risco e na “precificação” dos financiamentos.

Nesse mesmo sentido aponta a estratégia em comento. Reconhecendo que alguns bancos já dispõem de inventários da emissão dos gases de efeito estufa de suas atividades intrínsecas (e.g. manutenção de agências bancárias e escritórios), o estudo sugere que se passe a contabilizar também as emissões referentes às atividades financiadas, denominadas “emissões financiadas”5. Essa medida possibilitaria a incorporação definitiva da variável “mudanças climáticas” na gestão das linhas de crédito.

Sugere-se, ainda, que os bancos exijam de todos os clientes que produzam quantidade significativa de gases do efeito estufa, a utilização do GHG Protocol6, para mensurar e reportar as emissões de suas atividades já existentes, como condição para aprovação do financiamento. Essa iniciativa, segundo os idealizadores do estudo, facilitaria a “precificação” dos financiamentos, resguardando os índices de emissão apurados na aplicação do GHG Protocol, proporcionando maior transparência.

Para os autores, a contabilização das emissões financiadas deve ser considerada apenas o primeiro passo, seguido da definição de metas de redução para essas emissões, elaborando ferramentas que possibilitem, além da redução, tratar de modo diferenciado cada seguimento (e.g. setor de energias renováveis, setor industrial, etc.).

Ora, ainda que se admita que os esforços sugeridos possam contribuir para a mitigação das mudanças climáticas, devemos ter em mente que a imposição dessas estratégias aos bancos extrapola sua competência, pois sugere que os bancos atuem como se poder público fossem.

A estrutura governamental, seja nacional ou regional, dispõe de ferramentas específicas para o controle e combate à poluição, como, por exemplo, o processo de licenciamento ambiental. Uma vez definida uma política pública de combate às mudanças climáticas, o próprio poder público, seja por meio do licenciamento de novos empreendimentos ou da revisão das licenças de operação já expedidas, poderá impor novos requisitos e condicionantes, resguardando de forma mais eficaz as emissões de GEE e exercendo, inclusive, seu poder de polícia para fiscalizar o cumprimento das novas exigências.

Deve-se reconhecer, no entanto, que a própria dinâmica do mercado poderá conduzir as instituições financeiras à adoção das práticas sugeridas. Nesse sentido, é o que sugere a teoria dos Stakeholders e a teoria Institucional.

A teoria dos stakeholders, em breve síntese, sugere que a mudança de valores dos seguimentos sociais envolvidos na base operacional de determinada empresa (e.g. consumidores, parceiros, etc.), ocasionará uma mudança de valores da própria empresa. Como exemplo, pode-se citar a neutralização do carbono das atividades de determinada empresa, feita voluntariamente em atendimento às exigências dos seus consumidores e parceiros.

Segundo a teoria institucional, as instituições empresariais são estruturas sociais que respondem aos estímulos gerados por seus competidores, assim, o amadurecimento do setor bancário, com a adoção de novas práticas socioambientais por alguns dos players desse seguimento, impulsionará os demais competidores a buscar a homogeneização, porquanto os demais serão provocados, também, a adotar as práticas inovadoras do mercado.

Não é difícil de imaginar, portanto, que em um futuro próximo sejam empregadas as sugestões apontadas pelo estudo. Porém, é preciso ressaltar que o mercado deverá apresentar sinais de maturidade suficiente para comportar tais mudanças procedimentais. Caso contrário, estaremos criando mais um obstáculo econômico aos empreendedores e onerando os bancos ao lhes atribuir uma competência que não lhes é devida originalmente.

Ademais, lembramos, novamente, que as mudanças sugeridas serão mais efetivas se acompanhadas de uma política pública eficiente no combate aos efeitos adversos das mudanças climáticas.

Por fim, a terceira estratégia sugere que bancos devem contribuir positivamente para uma rápida transição para uma economia de baixo carbono. Mais uma vez, o instrumento a ser utilizado seria o financiamento.

Apontando as potencialidade dos setores de energia sustentável e a estimativa de investimento anual de US$100 bilhões até 2030 para que seja atingido a “descarbonização” do setor energético7, o estudo clama por maiores investimentos nos setores propulsores da energia sustentável, como as novas tecnologias.

Nesse sentido, o estudo sugere que os bancos adotem uma postura mais proativa no investimento em programas e projetos de energias renováveis, de eficiência energética e de suporte às reduções de emissões. A criação de uma linha de produtos e serviços que permitam os clientes investir o dinheiro de maneira que contribua para a mitigação dos problemas climáticos também é apontada como um bom caminho a ser seguido.

Outro seguimento que deve receber especial atenção, segundo o estudo, são os produtos destinados ao mercado imobiliário. O correto estímulo à eficiência energética das residências e construções pode representar, de acordo com o próprio IPCC, uma significativa redução das emissões dos GEE.

A terceira estratégia, como se vê, já vem ganhando força junto ao setor bancário. Alguns bancos, de forma pioneira, já disponibilizam, em suas carteiras de investimentos, opções fundadas em ativos ambientais, como os certificados de redução de emissão. O aumento na estruturação desse tipo de investimento dependerá do aumento da demanda por produtos financeiros com essas qualidades.

Todavia, quanto ao estímulo do mercado imobiliário, especialmente no Brasil, não se tem notícias de políticas diferenciadas no financiamento de construções com maior eficiência energética. Esse cenário poderá se modificar rapidamente no Brasil, bastando, para tanto, principalmente, vontade política. As maiores instituições operadoras desse mercado hoje, no Brasil, são estatais e podem introduzir e impulsionar as mudanças pretendidas.

De forma geral, podemos concluir que a segunda e a terceira estratégias sugeridas pelo estudo podem, desde que respeitem o amadurecimento natural do mercado, contribuir para a mitigação dos problemas climáticos. Contudo, há que se observar que esse movimento não pode ser fruto da transferência de atribuições do Estado para a iniciativa privada, nesse caso, o setor bancário.

Francisco Silveira Mello Filho é advogado associado ao escritório Pinheiro Pedro Advogados onde atua na área de Meio Ambiente e Sustentabilidade.
E-mail: francisco@pinheiropedro.com.br


O que os bancos devem fazer para combater as mudanças climáticas

(Parte 1)

Por Francisco Silveira Mello Filho

A rede internacional Bank Track1, por ocasião da realização da COP 15, em Copenhague, publicou estudo que analisa a contribuição das Instituições Financeiras para o aquecimento global e propõe mudanças significativas na atuação dessas organizações, de forma que possam colaborar para a equalização dos problemas climáticos.

Como o título A Challenging Climate 2.0: What Banks must do to combat climate change2, o estudo apresenta algumas soluções práticas que, segundo seus elaboradores, representam o verdadeiro engajamento do setor financeiro no combate às mudanças climáticas.

Segundo o documento, os bancos devem adotar as seguintes estratégias:

  1. Encerrar imediatamente o suporte financeiro para todas atividades que contribuam substancialmente com a ocorrência das mudanças climáticas;
  2. Reduzir severamente o impacto climático de todas as operações de empréstimos e investimentos por meio da adoção de um método para sua classificação; e
  3. Contribuir positivamente para uma rápida transição para uma economia de baixo carbono.

Especificamente quanto à primeira estratégia, objeto da primeira parte do presente artigo, o estudo sugere que se deixe de financiar algumas atividades como: extração de carvão, petróleo e gás; novas plantas de usinas termelétricas movidas a carvão; indústrias de processamento de aço, metal, alumínio e cimento; atividades que impliquem uso ou alteração do solo, como atividades agrícolas e florestais; e os transportes com baixa eficiência energética.

Pois bem, a pergunta que resta é: o que ficou de fora dessa lista de atividades “do mal”?

Pensando no Brasil, carente de investimentos em infra-estrutura, dependente da ampliação de seu parque industrial nacional e da expansão da oferta de energia, poderá o país abrir mão do financiamento nessas áreas? Qual o impacto social dessa estratégia sem precedentes na história? Qual o impacto dessa política no mercado de trabalho? Quais os países que serão mais afetados com estas medidas? Essas e outras perguntas os organizadores do estudo não responderam.

Em que pese a grave crise climática anunciada, não podemos nos esquecer que o modelo produtivo mundial não foi projetado para ser um modelo de baixo carbono, ou seja, qualquer atitude drástica, como acabar com as linhas de crédito para atividades de extração de petróleo, gás, entre outros, conforme sugere o estudo, pode representar a falência do sistema financeiro mundial.

Há que se ressaltar, também, que essas mudanças poderão acentuar ainda mais a diferença entre as nações desenvolvidas, que já tiveram seu processo de industrialização concluído e podem mais facilmente se adaptar ao novo modelo, e as nações em desenvolvimento, para as quais tais mudanças significarão forte retrocesso.

Refletindo sobre a posição estratégica do Brasil, a extinção das linhas de crédito para esses setores, conforme sugere o estudo, culminará no atrofiamento do parque industrial e agrícola nacional, visto que as atividades consideradas “sujas”, como a agricultura, são alguns dos motores propulsores da economia brasileira. Levando-se a cabo o citado estudo, o agronegócio brasileiro pereceria, o pré-sal seria inviabilizado e vivenciaríamos uma grande crise energética. Sem dúvida assistiríamos ao agravamento dos problemas sociais.

Não se pode afirmar, portanto, que o abandono das linhas de crédito para os setores de base da economia mundial seja um caminho sustentável para conduzir a transição econômica para um modelo de baixo carbono. Ademais, parece-nos latente que, quanto à primeira estratégia, os mais prejudicados serão os países em desenvolvimento, como o Brasil, que, mais uma vez, adormecerá em berço esplêndido.

Em nosso próximo artigo, teceremos alguns comentários sobre a segunda estratégia apontada pelo estudo, reduzir o impacto climático dos financiamentos por meio de classificação mais eficiente das atividades financiadas. Até lá!

Francisco Silveira Mello Filho é advogado associado ao escritório Pinheiro Pedro Advogados onde atua na área de Meio Ambiente e Sustentabilidade.
E-mail: francisco@pinheiropedro.com.br